terça-feira, 12 de junho de 2012

A PORÇÃO HUMANA DOS ORIXÁS.

Obá, a orixá guerreira, disputava o amor de Xangô com Iansã e Oxum. Obá sentia o corpo arder de ciúme ao ver seu amado tratar Oxum com gestos de atenção e carinho e passou a imaginar que sua rival colocava algum tempero especial na comida para enfeitiçar Xangô.
Certo dia, Obá foi à cozinha disposta a descobrir o segredo de Oxum. Percebendo o ciúme de Obá, Oxum resolveu pregar uma peça na guerreira e mentiu. Disse que seu ingrediente era, na verdade, um pedaço de sua orelha. Obá então pôs uma tasca da própria orelha na comida e serviu para Xangô, que rejeitou o prato. Foi quando Obá se deu conta que caíra em uma armadilha e desde este dia, cobre as orelhas quando dança na presença de Oxum.

Os sentimentos humanos sempre estiveram presentes na mitologia dos orixás e na tradição oral africana. Sentimentos que mais tarde viriam contar outras histórias, que compõem uma literatura tipicamente feita por negros no Brasil.

Conto de guerra.


Os anciãos estavam reunidos em conselho para decidir com que cores seriam pintados os escudos de guerra. Pediram ajuda a Angorô, que dançou entre o sol e a chuva e entregou a eles o arco-íris. Ao invés de solução, o presente trouxe um problema ainda maior. Agora precisavam escolher as cores dos escudos de cada grupo. Essas cores é que determinariam a posição e a importância deles na frente de batalha. Já prevendo a disputa entre os guerreiros, o conselho procurou Xangô, o deus da justiça, que encerrou a discussão misturando as cores. Formou uma massa cor de terra e pintou todos os escudos iguais. Ao fazer isto, Xangô escondeu dos inimigos os valores dos guerreiros e ensinou a eles que na festa ou na luta, uma, três ou sete cores devem somar uma só.

No tabuleiro de Iansã.

Orixá das cores vermelha e branca, Iansã é a regente do vento e dos temporais. Segundo uma antiga história da África, Xangô, marido de Iansã, certa vez a enviou para uma aventura especial na terra dos baribas. A missão era buscar um preparado que lhe daria o poder de cuspir fogo. Só que a guerreira, ousada como ela só, ao invés de obedecer ao marido, bebeu a alquimia mágica, adquirindo para si a capacidade de soltar labaredas de fogo pela boca.
Mais tarde, os africanos inventaram cerimônias que saudavam divindades como Iansã através do fogo. E, para isso, usavam o àkàrà, um algodão embebido em azeite de dendê, num ritual que lembra muito o preparo de um alimento bastante conhecido até os dias que correm: o acarajé. Na verdade, o acarajé que abastece o tabuleiro das baianas é o alimento sagrado de Iansã, também conhecida como Oyá.

O quitute tornou-se símbolo da culinária da Bahia e patrimônio cultural brasileiro. E, assim como ele, diversos elementos da tradição africana fazem parte do nosso cotidiano. Em sons, movimentos e cores, a arte encontrou na religião de origem africana seu sentido, sua essência, sua identidade.

A Espada justa de Ogum.

Ogum é um orixá benfeitor, capaz de salvar muitas vidas, mas também destruidor de reinos. Há quem diga que um belo dia Ogum chegou em uma aldeia onde ninguém falava com ele. Sempre que se dirigia a um habitante do lugar, só recebia um grande vazio como resposta.
Pensando que todos estavam zombando dele, Ogum ficou furioso e destruiu cada pedacinho da aldeia. Logo em seguida, descobriu que aqueles moradores permaneceram calados porque faziam voto de silêncio e se arrependeu amargamente por haver empregado as suas forças numa ação bélica.

Desde então, o deus da guerra jurou ser mais cauteloso e proteger os mais fracos, sobretudo aqueles que estiverem sofrendo algum tipo de perseguição arbitrária. Tanto no orum, o universo, como no aiyê, a terra, a luta dos negros contra as injustiças é encarada por corajosos guerreiros espirituais e de carne e osso.

O sopro sagrado de Olorum.

Quando Olorum, o senhor do infinito, fez o universo com o seu hálito sagrado, criou junto um punhado de seres imateriais com a finalidade de povoá-lo. Estes seres, os orixás, foram dotados de poderes fantásticos, como o domínio sobre o fogo, a água, a terra, o ar, os animais e as plantas e também o masculino e o feminino.

No princípio, eram muitas as divindades africanas, tantas que a comparamos às cores da exuberante África. Ainda hoje, os adeptos das religiões afro-brasileiras continuam adorando um pequeno grupo destas divindades, que representam todos os elementos essenciais à natureza e à vida humana.

Os povos africanos produziram uma infinidade de mitos sobre a criação do mundo e as forças espirituais. Isso porque a necessidade de explicar o mundo em que vivemos é praticamente tão antiga quanto a própria humanidade.


Entidades Africanas.


Africanas Raízes - Imagem Oxalá
OXALÁ.
Muitas são suas lendas e extensa é sua origem e história na África, 
matéria destinada aos estudiosos e mais aprofundados na religião. 
Sendo os mais cultuados no Brasil, Oxalufon "o velho" e 
Oxaguian "o moço" na sua forma "guerreira" de Oxalá 
que carrega uma espada, cheio de vigor e nobreza, 
seu templo principal é em Ejigbo, onde ostenta o título de Eléèjìgbó, 
Rei de Ejigbo. Na condição de velho e sábio, curvado ao peso dos anos, 
figura nobre e bondosa, carrega uma cajado em que se apoia, 
o Opaxoro, cajado de forte simbologia, utilizado para separação 
do Orun e o Ayié. No Brasil é o mais venerável e o mais venerado, 
sua cor é o branco, seu dia a Sexta-feira, motivo pelo qual 
os candomblecistas em geral usam roupa branca na Sexta-feira 
e na virada do ano, num claro respeito e devoção a Oxalá. 
Sua maior festa é uma cerimônia chamada "Águas de Oxalá" 
que diz respeito a sua lenda dos sete anos de encarceramento, 
culminando com a cerimônia do "Pilão de Oxaguian", 
para festejar a volta do pai. Esse respeito advém da sua condição 
delegada por Olorun, da criação e governo da humanidade.
 

Africanas Raízes - Imagem Ogum

OGUM

Uma história de Ifá, explica como o número 7 foi relacionado 
a Ogún e o número 9 a Oyá. 
"Oyá era a companheira de Ogún antes de se tornar a mulher de Xangô. 
Ela ajudava o deus dos ferreiros no seu trabalho; 
carregava docilmente seus instrumentos, da casa à oficina, 
e aí ela manejava o fole para ativar o fogo da forja. 
Um dia, Ogún ofereceu à Oyá uma vara de ferro, 
semelhante a uma de sua propriedade, e que tinha o dom de dividir 
em sete partes os homens e em nove as mulheres 
que por ela fossem tocados no decorrer de uma briga.
Xangô gostava de vir sentar-se à forja a fim de apreciar Ogún 
bater o ferro e, frequentemente, lançava olhares a Oyá; 
esta, por seu lado, também o olhava furtivamente. 
Xangô era muito elegante, seus cabelos eram trançados 
e usava brincos, colares e pulseiras. 
Sua imponência e seu poder impressionaram Oyá. 
Aconteceu, então, o que era de esperar: um belo dia, ela fugiu com ele. 
Ogún lançou-se à sua perseguição, 
encontrou os fugitivos e brandiu sua vara mágica. 
Oyá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. 
E, assim, Ogún foi dividido em sete partes e Oyá, em nove, 
recebendo ele o nome de Ogún Mejé e ela o de Yansã, 
cuja origem vem de Iyámésan - 'a mãe (transformada em) nove'."
 
Africanas Raízes -  - Lenda Oxumaré
OXUMARÉ
Nanã, obcecada pela idéia de ter um filho de oxalá, 
concebeu o primogênito obaluaiye que, por sua terrível aparência, 
foi desprezado por ela. Nanã consultou ifá, 
e este orixá lhe disse que, numa segunda tentativa, 
ela daria a luz a um filho lindíssimo, tão formoso quanto o arco-íris. 
No entanto, preveniu-a sobre o fato que a criança jamais ficaria a seu lado.
Seu sonho parecia realizado até o momento do parto, 
quando deu a luz a um estranho ser que recebeu o nome de oxumaré. 
Durante seis meses a criatura tomava a forma de arco-íris,
cuja função era levar a água para o castelo de oxalá, 
que morava em orun ( no céu ). Depois de cumprida a tarefa, 
ele voltava a terra por outro seis meses, assumindo a forma de uma cobra. 
Com essa aparência, ao morder a própria cauda, 
dando a volta em torno da terra, ele teria gerado o movimento de rotação, 
bem como o transito dos astros no espaço. 
É um orixá que representa polaridades contrarias, 
como o masculino e o feminino, o bem e o mal, a chuva e o tempo bom, 
o dia e a noite, respectivamente, através das formas do arco-íris e serpente.
 
Africanas Raízes - Lenda Obaluayê
OBALUAYÊ
Nanã era considerada a deusa mais guerreira de daomé. 
Um dia, ela foi conquistar o reino de oxalá e se apaixonou por ele. 
Mas este não queria se envolver com outra orixá que não 
fosse sua amada esposa yemanjá. Por isso, explicou tudo a nanã, 
mas ela não se fez de rogada.
Sabendo que oxalá adorava vinho de palma, embriagou-o. 
Ele ficou tão bêbado que se deixou seduzir por nanã, 
que acabou ficando grávida. Mas por ter transgredido 
uma lei da natureza, deu a luz a um menino horrível, 
não suportando vê-lo, lanço-o no rio. 
A criatura foi mordida por caranguejos, ficando toda deformada. 
Por sua terrível aparência, passou a viver longe dos outros orixás.
De tempos em tempos os orixás se reuniam para uma festa. 
Todos dançavam, menos obaluaiyê, que ficava espreitando da porta, 
com vergonha de sua feiura. Ogum percebeu o que acontecia e, 
com pena, resolveu ajudá-lo, 
trançando uma roupa de mariwo - uma espécie de fibra de palmeira - 
que lhe cobriu todo o corpo. 
Com este traje ele voltou a festa e despertou a curiosidade de todos, 
que queriam saber quem era o orixá misterioso. 
Yansã, a mais curiosa de todas, aproximou-se, e neste momento, 
formou-se um turbilhão e o vento levantou a palha, 
revelando um rapaz muito bonito. 
Desde então os dois orixás vivem juntos, 
e os dois passaram a reinar sobre os mortos.
 
Africanas Raízes - Lenda Ibeji
IBEJI
Existiam num reino dois pequenos príncipes gêmeos
que traziam sorte a todos. 
Os problemas mais difíceis eram resolvidos por eles;
em troca, pediam doces balas e brinquedos.
Esses meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, 
brincando próximos a uma cachoeira,
um deles caiu no rio e morreu afogado. 
Todos do reino ficaram muito tristes pela morte do príncipe.
O gêmeo que sobreviveu não tinha mais vontade de comer
e vivia chorando de saudades do seu irmão,
pedia sempre a orumilá que o levasse para perto do irmão. 
Sensibilizado pelo pedido,
orumilá resolveu levá-lo para se encontrar com o irmão no céu, 
deixando na terra duas imagens de barro. Desde então, 
todos que precisam de ajuda deixam oferendas 
aos pés dessas imagens para ter seus pedidos atendidos.

O Amuleto do Ceifeiro.


A história se passa no Brasil na época em que escravos africanos eram tragos para essa região. Entre esses escravos um deles era um feiticeiro muito poderoso. Seu feito mas terrivel era a “Maldição do meio dia” em que ele pegava o nome de uma pessoa ás 9 da manhã e até o meio dia esta pessoa era morta misteriosamente. Ao desembarcar na praia Brasileira, o coronél responsável pelos escravos disse:
_Fiquei sabendo que há um feiticeiro muito conhecido entre os escravos...
O feiticeiro levantou a mão, e o coronél o chamou para trabalhar com ele. O feiticeiro tinha em seu pescoço um colar com um amuleto roxo, como se tivesse algo dentro. Na sala do coronél  eles conversam tranquilamente, até que o coronél chega direto ao ponto.                                                                   _Dizem que você faz um feitiço para a pessoa morrer até o meio dia, é verdade?                                                                     O feiticeiro olhou dentro dos olhos no coronél, balançou o chucalho que ele leva em seu pulso, e afirmou:
_Qualquer pessoa que você me dé o nome, estará morta amanhã, meio dia...
O coronél estava de olho nas terras  de um “amigo” e deu o nome para que o feito fosse realizado. Mas havia um olheiro ali naquela fazenda, que daria a vida para salvar a do seu chefe. Entãoo ele foi até os escravos e perguntou para cada um de onde vinha os poderes do feiticeiro, então um deles disse, do amuleto, o amuleto é a fonte dos mais terriveis poderes.                                              Então ele chamou uns amigos capangas e invadiram a fazenda do coronél. Tinha mais capangas do que guardas, então o tal olheiro entrou na sala do coronél com dois capangas e perguntou onde estava o fiticeiro, e o coronél disse que ele tinha ido pro meio da mata, fazer o ritual de magia negra . O tal olheiro, pegou uns homens e foram atrás dele pela selva inteira. Até que o acharam falando com uma figuara alta, de capuz e que trajava preto. Eles ficaram escondidos para ver o que estava acontecendo, até que o tal figura olhou para eles e eles viram o seu rosto. Era o rosto de um esqueleto, com os olhos em chamas eque carregava uma foice... Ele quando os viu desapareceu como um pase de magica então o feiticeiro olhou pra trás e eles os atacaram, e ele gritou: _tenho que acabar de fazer o ritual...
Os homens o agarraram e pegaram o amuleto  e ele gritou: _não, há uma maldição nesse amuleto....                                                                                                                                                 Mas os homens só queriam saber  de salvar a vida do fazendeiro que o coronél mandou fazer o feito. Os hamens tiraram o amuleto, jogaram o feiticeiro no chão e deram um tiro na cabeça dele. Quando isso aconteceu o amuleto explodiu nas mão deles e se uniu no ar, e voou pra longe. Dizem que a alma do feiticeiro fica vagando pelo munda para achar o amuleto e voltar a vida, outros dizem que ele aparece com o ceifeiro matando aqueles que acham o amuleto.