quinta-feira, 7 de junho de 2012

A morte


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O Dia da Morte; pintura de William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)
morte (do latim mors)[1], o óbito (do latim obitu)[2]falecimento (falecer+mento)[3]ou passamento (passar+mento)[4], ou ainda desencarne (deixar a carne)[5] são termos que podem referir-se tanto ao cessamento permanente das atividades biológicas necessárias à manutenção da vida de um organismo, como ao estado desseorganismo depois do evento. As alegorias comuns da morte são o Anjo da Morte, a cornegra, ou o famoso túnel com luminosidade ao fundo.
A morte é o fenômeno natural que mais se tem discutido tanto em religião, ciência, opiniões diversas. O Homem, desde o princípio dos tempos, tem a caracterizado commisticismomagiamistériosegredo. Para os céticos, a morte compreende o cessar da consciência, exatamente quando o cérebro deixa de executar suas funcionalidades.

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Biologicamente
, a morte pode ocorrer para o todo o organismo ou apenas para parte dele. É possível para células individuais, ou mesmo órgãos, morrerem e ainda assim o organismo ,continuar a viver. Muitas células individuais vivem por apenas pouco tempo e a maior parte das células de um organismo são continuamente substituídas por novas células.[6]Considerações

A substituição de células, através da divisão celular, é definida pelo tamanho dos telômeros e ao fim de um certo número de divisões, cessa. Ao final deste ciclo de renovação celular, não há mais replicação, e o organismo terá de funcionar com cada vez menos células. Isso influenciará o desempenho dos órgãos num processo degenerativo até o ponto em que não haverá mais condições de propagação de sinais químicos para o funcionamento das funções vitais do organismo; o que seria morte natural por velhice.[carece de fontes]
Também é possível que um animal continue vivo, mas sem sinal de atividade cerebral (morte cerebral); nestas condições, tecidos e órgãos vivem e podem ser usados para transplantes. Porém, neste caso, os tecidos sobreviventes precisam ser removidos e transplantados rapidamente ou morrerão também. Em raros casos, algumas células podem sobreviver, como no caso de Henrietta Lacks (um caso em que células cancerígenas foram retiradas do seu corpo por um cientista, continuando a multiplicar-seindefinidamente).[carece de fontes]
irreversibilidade é normalmente citada como um atributo da morte. Cientificamente, é impossível trazer de novo à vida um organismo morto. Se um organismo vive, é porque ainda não morreu anteriormente, embora exista um grupo de animais invertebrados, os Rotifera, que possuem uma capacidade denominada criptobiose, que consiste no "cessar" metabólico quando as condições ambientais não estão favoráveis e se manter assim por meses ou anos até as condições se reestabelecerem. Se considerarmos morte essa parada metabólica, esses animais morrem e depois revivem. Muitas pessoas não acreditam que a morte física é sempre e necessariamente irreversível, enquanto outras acreditam em ressuscitação do espírito ou do corpo e outras ainda, têm esperança que futuros avanços científicos e tecnológicos possam trazê-las de volta à vida, utilizando técnicas ainda embrionárias, tais como a criogenia ou outros meios de ressuscitação ainda por descobrir.[carece de fontes]
Alguns biólogos acreditam que a função da morte é primariamente permitir a evolução.[carece de fontes]

[editar]Morte humana

O triunfo da morte, de Pieter Brueghel o Velho, (1562).
Historicamente, tentativas de definir o momento exato da morte foram problemáticas. A identificação do momento exato da morte é importante, entre outros casos, no transplante de órgãos, porque tais órgãos precisam de ser transplantados (cirurgicamente) o mais rápido possível. [carece de fontes]
Morte foi anteriormente definida como parada cardíaca e respiratória mas, com o desenvolvimento da ressuscitação cardiopulmonar e da desfibrilação, surgia um dilema: ou a definição de morte estava errada, ou técnicas que realmente ressuscitavam uma pessoa foram descobertas (em vários casos, respiração e pulso cardíaco podem ser restabelecidos). A primeira explicação foi aceita, e atualmente, a definição médica de morte é conhecida como morte clínica,morte cerebral ou parada cardíaca irreversível. A morte cerebral é definida pela cessão de atividade eléctrica no cérebro. Porém, aqueles que mantêm que apenas o neo-córtex do cérebro é necessário para a consciência argumentam que só a atividade eléctrica do neo-córtex deve ser considerada para definir a morte. Na maioria das vezes, é usada uma definição mais conservadora de morte: a interrupção da atividade elétrica no cérebro como um todo, e não apenas no neo-córtex, é adoptada, como, por exemplo, na "Definição Uniforme de Morte" nos Estados Unidos.[carece de fontes]
Lápides em um cemitério.
Até nesses casos, a definição de morte pode ser difícil. EEGs podem detectar pequenos impulsos elétricos onde nenhum existe, enquanto houve casos onde atividade cerebral em um dado cérebro mostrou-se baixa demais para que EEGs os detectassem. Por causa disso, vários hospitais possuem elaborados protocolos determinando morte envolvendo EEGs em intervalos separados. [carece de fontes]
história médica contem muitas referências a pessoas que foram declaradas mortas por médicos, e durante os procedimentos para embalsamento eram encontradas vivas. Histórias de pessoas enterradas vivas (e assumindo que não foram embalsamadas) levaram um inventor no começo do século XX a desenhar um sistema de alarme que poderia ser ativado dentro do caixão. [carece de fontes]
Por causa das dificuldades na definição de morte, na maioria dos protocolos de emergência, mais de uma confirmação de morte (de médicos diferentes) é necessária. Alguns protocolos de treinamento, por exemplo, afirmam que uma pessoa não deve ser considerada morta a não ser que indicações óbvias que a morte ocorreu existam, como decapitação ou dano extremo ao corpo. Face a qualquer possibilidade de vida, e na ausência de uma ordem de não-ressuscitação, equipes de emergência devem proceder ao transporte o mais imediato possível até ao hospital, para que o paciente possa ser examinado por um médico. Isso leva à situação comum de um paciente ser dado como morto à chegada do hospital. [carece de fontes]

[editar]Pós-morte

"Tudo é vaidade". Uma ilusão de óptica criada por Charles Allan Gilbert, criticando o apego material da vida mundana.
A questão de o que acontece, especialmente com os humanos, durante e após a morte (ou o que acontece "uma vez morto", se pensarmos na morte como um estado permanente) é uma interrogação frequente, latente mesmo, na psique humana. Tais questões vêm de longa data, e a crença numa vida após a morte como a reencarnaçãoou ida a outros mundos é comum e antiga (veja submundo). Para muitos, a crença e informações sobre a vida após a morte são uma consolação ou uma cobardia em relação à morte de um ser amado ou à prospecção da sua própria morte. Por outro lado, medo do Inferno ou de outras consequências negativas podem tornar a morte algo mais temido. A contemplação humana da morte é uma motivação importante para o desenvolvimento de sistemas de crenças e religiões organizadas. Por essa razão, palavra passamentoquando dita por um espírita, significa a morte do corpo. A passagem da vida corpórea para a vida espiritual. [carece de fontes]
Apesar desse ser conceito comum a muitas crenças, ela normalmente segue padrões diferentes de definição de acordo com cada filosofia. Várias religiões creem que após a morte o ser vivo ficaria junto do seu criador (Deus). [carece de fontes]
Muitos antropólogos sentem que os enterros fúnebres atribuídos ao Homem de Neanderthal/Homo neanderthalensis, onde corpos ornamentados estão em covas cuidadosamente escavadas, decoradas com flores e outros motivos simbólicos, é evidência de antiga crença na vida após a morte. [carece de fontes]
Do ponto de vista científico, não se pode confirmar nem rejeitar a idéia de uma vida após a morte. Embora grande parte da comunidade científica sustente que isso não é um assunto que caiba à ciência resolver, muitos cientistas tentaram entrar nesse campo estudando as chamadas "experiências de quase-morte", e o conceito de "vida" se associa ao de "consciência". São consideradas três hipóteses: [carece de fontes]
  • A consciência existe unicamente como resultado de correlações da matéria. Se esta hipótese for verdadeira, a vida cessa de existir no momento da morte.
  • A consciência não tem origem física, apenas usa o corpo como instrumento para se expressar. Se esta hipótese for verdadeira, certamente há uma existência de consciência após a morte e provavelmente antes da morte, também, o que induziria às tentativas de validação da reencarnação.
  • A consciência tem uma origem física não identificada. Essa matéria física não identificada carrega toda a experiência de vida do ser humano a qual pertenceu, e continua viva após da morte física do corpo. Se esta hipótese for verdadeira, esta explicação validaria os acontecimentos supernaturais ocorridos no espiritismo e êxtases em cultos de neopaganismo.

[editar]Personificação da morte

Iconografia da representação da Morte
A associação da imagem com o ceifador está relacionada ao trigo, que na Bíblia simboliza a vida. Em inglês, é geralmente dado à morte o nome de "Grim Reaper". Também é dado o nome de Anjo da Morte (emhebraicoמַלְאַךְ הַמָּוֶת Malach HaMavet), decorrente da Bíblia. [carece de fontes]
A morte também é uma figura mitológica que tem existido na mitologia e na cultura popular desde o surgimento dos contadores de histórias. Na mitologia gregaTânato seria a divindade que personificava a morte, e Hades, o deus do mundo da morte. [carece de fontes]
ceifador também aparece nas cartas de tarô e em vários trabalhos televisivos e cinematográficos. Uma das formas dessa personificação é um grande personagem da série Discworld de Terry Pratchett, com grande parte dos romances centrando-se nela como personagem principal.[carece de fontes]
Em alguns casos, essa personificação da morte é realmente capaz de causar a morte da vítima,[7] gerando histórias de que ela pode ser subornada, enganada, ou iludida, a fim de manter uma vida. Outras crenças consideram que o espectro da morte é apenas umpsicopompo e serve para cortar os laços antigos entre a alma e o corpo e para orientar o falecido ao outro mundo sem ter qualquer controle sobre o fato da morte da vítima. [carece de fontes]
Morte em muitas línguas é personificada na forma masculina (como no inglês), enquanto em outros ela é percebida como uma personagem feminina (por exemplo, em línguas eslavas e latinas). A série supernatural apresentou uma visão nova da morte onde um dos cavaleiros do apocalipse e a morte na condição humana, discutem com o personagem principal sobre sua origem, ao qual ele afirma ser mais velho do que Deus, e que acima do que céus e terra, além de ter existido também em outros planetas, tendo levado a vida lá também para o abismo. [carece de fontes]

[editar]Na história

As Ordenações Filipinas - conjunto de leis que servia de base para o direito português na época do Brasil Colônia, previa a "morte natural" em duas versões: "natural cruel" e "natural atroz". Na "morte cruel", o corpo do condenado era objeto de vingança e, por isso, devia ser torturado vivo. A finalidade era prolongar o sofrimento da vítima.[8]
No caso da condenação por "morte natural atroz", a vítima teria ainda seus bens confiscados e a família seria atingida até a geração dos netos. Essa punição era considerada mais branda que a da "morte natural cruel" e o condenado podia ser esquartejado depois de morto. Em ambos os casos era ressaltado o "caráter pedagógico" da degradação do cadáver. Era a "pedagogia do domínio" pelo medo, "aprendida" por todos que presenciavam o "espetáculo".[9]
Exemplo conhecido de sentenciado com a "morte natural cruel" é o dos inconfidentes. A essa pena Tiradentes foi condenado em 1792.
No final do século XVIII, o direito português previa a "morte natural para sempre": proibia o sepultamento do cadáver, que teria as partes do corpo expostas até a decomposição completa.[9]"

[editar]Na literatura

A morte de Abel, interpretação do homicídiodescrito na Bíblia por Gustave Doré.
Como Oscar Wilde escreveu tão elegantemente: "(...) Morte é o fim da vida, e toda a gente teme isso, só a Morte é temida pela Vida, e as duas reflectem-se em cada uma (...)"
"(...) desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor (...)" (Filipenses 2:12) A visão da Bíblia sobre a Morte.
A morte é considerada através de várias perspectivas na literatura de todo o mundo. Encaramos a morte, lidamos com o falecimento de entes queridos e desconhecidos, discutimos o seu significado religioso, filosófico, social, etc.
Muitos autores usaram-na como via para expressar o que há depois da vida, sob a perspectiva de várias teorias. As três mais divulgadas e preponderantes são:
  • A teoria da "Extinção Absoluta" permanente da vida ao ocorrer a morte física, ou teoria Materialista (monista);
  • A teoria do "Céu e Inferno" numa vida eterna para além da física e determinada pela conduta na vida física, ou teoria Teológica
  • A teoria da reencarnação através de renascimentos sucessivos em corpos físicos e com diferentes experiências de vida para alcançar a expansão de consciência e perfeição espiritual, ou teoria do Renascimento (dualista).

[editar]Na ciência

A morte, no ramo das ciências, é estudada pela tanatologia. Nesse sentido são estudados causas, circunstâncias, fenômenos e repercussões jurídico-sociais, sendo amplamente utilizados na medicina legal. No Brasil o diagnóstico da morte é regido pela resolução 1.480/97 do Conselho Federal de Medicina. A morte também é estudada em outros ramos da ciência, notadamente os relacionados a tratar doenças e traumatismos evitando que elas ocorram. No mesmo sentido uma das estatísticas mundialmente utilizadas para ações governamentais de prevenção são as taxas de mortalidade. Alguns estudos da ciência abordam asexperiências de quase morte no sentido de entender os fenômenos correlacionados na quase morte. [carece de fontes]

[editar]Experiência de quase morte

Um dos ramos da ciência relatados através de vários casos de quase morte estuda os sentimentos declarados de pacientes que recuperaram suas funções vitais depois de uma intervenção médica. São comuns relatos de pessoas que dizem ter visto uma luz, um túnel iluminado e às vezes vendo-se a si mesmo, fora do próprio corpo, durante uma cirurgia. Esses relatos dividem opiniões de especialistas que defendem as causas religiosas no sentido de que a "luz" vivenciada pelos pacientes de quase morte era a luz para o caminho dos céus. A ciência tenta explicar esse fenômeno através de alterações químicas no cérebro, especialmente pela falta deoxigenação em cirurgias graves, fazendo o paciente ter alucinações nesse período de intervenção. [carece de fontes]
O Dr. Raymond Moody cunhou o termo "experiência de quase-morte" em seu livro escrito em 1975, "Vida após a vida". O livro ganhou atenção do público para o conceito de experiência de quase-morte. Entretanto, relatos dessas experiências sempre ocorreram na história. A obra "República", de Platão, escrita em 360 a.C., contém a lenda de um soldado chamado Er que teve uma experiência semelhante depois de ter sido ferido em combate. Er descreveu sua alma deixando seu corpo e, do céu, viu-a sendo julgada junto com outras almas[10]
A maioria das "experiência de quase-morte" tem as seguintes percepções:
  • Sensações de tranquilidade - essas sensações podem incluir paz, aceitação da morte, conforto físico e emocional
  • Luz radiante, pura e intensa - é uma luz que muitas vezes preenche o quarto. Em vários casos os pacientes associam-na ao Céu à Deus
  • Experiências fora do corpo - a pessoa sente que deixou seu corpo. Ela pode olhar para baixo e ver o corpo, geralmente descrevendo a visão dos médicos trabalhando nele.
  • Entrando em outra realidade ou dimensão - dependendo das crenças religiosas da pessoa ela pode se sentir entrando num portal de novas dimensões
  • Seres espirituais - a pessoa sente-se encontrando "seres de luz" ou de outras representações de entidades espirituais. Ela pode perceber esses seres como entes queridos que morreram, anjos, santos ou Deus

[editar]Culto dos mortos em Portugal

Segundo Leite de Vasconcelos na noite de Todos os Santos, em Barqueiros, era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babada dos defuntos”. É também costume deixar um lugar vago à mesa para o morto ou deixar a mesa cheia de iguarias toda a noite da consoada para as "alminhas". [carece de fontes]
Leite de Vasconcelos também considerava o magusto, festa popular em que amigos e famílias se juntam para assar e comer castanhas, como o vestígio de um antigo sacrifício em honra dos mortos. [carece de fontes]
Nesta noite ninguém cuide
Encontrar-se à mesa a sós!
Porque os nossos q'ridos mortos
Vão sentar-se junto a nós.
Outra manifestação do culto dos mortos são as alminhas e os cruzeiros pequenos monumentos de devoção que se encontram frequentemente na beira dos caminhos.

[editar]Classificação

[editar]Quanto à realidade

[editar]Real

Segundo a fé cristãJesus foi o único a vencer a morte.
O conceito de morte, interessando a áreas tão diversas como as ciências biológicas,jurídicassociais e à religião, está longe de ter um consenso quanto ao momento real de sua ocorrência. Observada do ponto de vista biológico, e atentando-se para o corpo como um todo, a morte não é fato único e instantâneo, antes o resultado de uma série de processos, de uma transição gradual.
Levando-se em consideração as diferentes resistências vitais à privação de oxigênio dascélulastecidosórgãos e sistemas que integram o corpo, pode admitir-se que a morte é um verdadeiro "processo incoativo", que passa por diversos estágios.
Cada campo do conhecimento e cada ramo da medicina acabaram por tomar um momento desse processo, adotando-o como critério definidor de morte. A Medicina Legal teve de adotar uma determinada etapa do citado processo como o seu critério de morte e, para tanto, optou pela etapa da morte clínica.
Até não há muito tempo, uma das grandes questões era poder determinar se uma pessoa, realmente estava morta, ou se encontrava em um estado de morte aparente. Tudo isso visando evitar o enterro precipitado, que seria fatal nesta última situação. O fato assumiu tal importância que chegou a influenciar os legisladores, que acabaram por colocar, na legislação adjetiva civil, prazos mínimos para a implementação de certos procedimentos como a necropsia e o sepultamento.
O aparecimento de modernas técnicas de ressuscitação cardiopulmonar e de manutenção artificial de algumas funções vitais, como a respiração - respiradores mecânicosoxigenadores - e a circulação - bomba de circulação extracorpórea -, mesmo na vigência da perda total e irreversível da atividade encefálica, criou a necessidade de rever os critérios definição de morte.
[editar]Atividade neurológica
atividade neurológica é a única das funções vitais que, até o presente momento, não teve condições, em que pesem os avanços tecnológicos, de ser suplementada nem de ter suas funções mantidas por qualquer meio artificial. Daí que a sua irrecuperabilidade ou a sua extinção possam ser considerados sinônimos da própria extinção da vida.
Mas é a nível neurológico que ocorrem os mais variados e sutis estados intermediários entre a vida e a morte, denominados "estados fronteiriços".
Alguns desses "estados fronteiriços" se encontram mais próximos da morte, como os "comas ultrapassados" (carus ou "coma dépassé"), com desaparecimento da vida de relação e, mesmo com conservação da vida vegetativa, se tornam crônicos ou irreversíveis. Outras formas, por outro lado, encontram-se mais próximas da vida, como os denominados estados de "morte aparente".

[editar]Aparente

morte aparente pode ser definida como um estado transitório em que as funções vitais "aparentemente" são abolidas, em consequências de uma doença ou entidade mórbida que simula a morte. Nesses casos, que também podem ser provocados por acidentes ou pelo uso abusivo de substâncias depressoras do sistema nervoso central (SNC), a temperatura corporal pode cair sensivelmente e ocorre um rebaixamento das funções cardiorrespiratórias de tal envergadura que oferecem, ao simples exame clínico, a aparência de morte real.
É inconteste que, nesse quadro, a vida continua sem que, contudo, se manifestem sinais externos: os batimentos cardíacos são imperceptíveis, os movimentos respiratórios praticamente não são apreciáveis, ao tempo que inexistem elementos de motricidade e de sensibilidade cutânea.
Assim, a denominada tríade de Thoinot define, clinicamente, o estado de morte aparente:
A duração desse estado foi um dos elementos que mais aguçaram a curiosidade dos pesquisadores. Historicamente, surgiram opiniões das mais díspares, indo desde alguns minutos até dias de morte aparente.
[editar]Sincopal
É a mais frequente das causas, resultando, em geral, de uma perturbação cardiovascular central ou periférica, bem como por perturbação encefálica ou metabólica.
[editar]Histérica (letargia e catalepsia)
As crises histéricas ocupam o segundo lugar em frequência na produção de estados de morte aparente. O termo genérico letargiadesigna todos os estados de sopor de longa duração, acompanhados de perda de movimentossensibilidade e consciência, que podem ser confundidos com a morte real.
[editar]Asfíctica
É também uma das causas assaz frequentes de morte aparente. Manifesta-se sob duas formas:
  1. mecânica: quer com via aérea livre, quer com a via obstruída, e
  2. não mecânica: asfixia de utilização ou histótóxica (absorção de COcianuretos e venenos metemoglobinizantes).
[editar]Tóxica
Compreenda a anestesia e a utilização de morfina ou outros alcalóides do ópio (heroína) em doses tóxicas.
[editar]Apoplética
É causada pela congestão (ingurgitação) e hemorragia no território de uma artéria encefálica (em geral, a lentículo-estriatal). É mais frequente em pacientes com antecedentes de hipertensão arterial essencial, mas também pode observar-se em outros quadros.
[editar]Traumática
Que ocorre em casos em que se produzem outros efeitos gerais simultâneos, como:
Pode observar-se nos atingidos por descargas de eletricidade comercial e que sobrevivem, quedando em um estado de morte aparente. Pode ser vista também em pessoas afetadas pela indução de descargas de eletricidade natural (queroaurância) - fulguração - em uma área de 30 a 60 m de diâmetro, em torno do ponto da faísca.
A morte aparente, nesses casos, sobrevém quando falham os mecanismos de regulação da temperatura corporal decorrente de um desequilíbrio no nível de combustão intra-orgânica. As termopatias ocorrem nos casos de "golpes de calor" hipertérmicos ou dehiperirexia, com retenção calórica. É uma ocorrência mais frequente no verão ou em regiões com altas temperaturas e elevada taxa de umidade relativa ambiente, em pessoas com patologias preexistentes ou sem elas, idosos e crianças, mais sensíveis ao calor.
A morte aparente por criopatia ocorre quando há hipotermia global aguda. Observa-se, com frequência, em ébrios que dormem ao relento nos quais a vasodilatação periférica aumenta a perda calórica, facilitando a hiportermia. também nas crianças desabrigadas na época invernal; nos acidentes com queda das vítimas ao mar (pilotosnáufragos); e até por causas iatrogênicas (transfusões de sangue frio). O estado de morte aparente pode instalar-se quando a temperatura central chegue abaixo dos 32 °C.
[editar]Causas gerais
A morte aparente pode observar-se em algumas formas terminais de cólera, na eclâmpsia durante o período comatoso, e em alguns casos de epilepsia.

[editar]Quanto à rapidez

[editar]Morte rápida

Denomina-se morte rápida ou súbita aquela que, pela brevidade de instalação do processo - em questão de segundos - não possibilita que seja realizada uma pesquisa profunda e uma observação acurada dos sintomas clínicos, hábil a ensejar um diagnóstico com certeza e segurança, nem poder instituir um tratamento adequado, e muitas vezes, sequer elidir se houve ou não violência.

[editar]Morte lenta

Recebe o nome de morte lenta ou agônica aquela que, em geral, vem de maneira esperada, devagar, significando a culminação de um estado mórbido, isto é, de uma doença ou da evolução de um tratamento.
Afora as características e dados que eventualmente aflorem do exame perinecroscópico, alguns dos quais podem apontar para morte rápida - e.g. espasmo cadavérico - outros também podem orientar no sentido de uma morte lenta, demorada, ponto final de uma longa agonia, tal o caso da emaciação, da caquexia, da presença de extensas escaras de apoio, entre outros exemplos.

A lenda de Julie Legare


Em algum momento de 1800, uma menina estava visitando sua família em Edisto Island, na Carolina do Sul. Enquanto estava lá, a menina ficou doente, tinha pego malária ou alguma outra doença fatal da época. Ela morreu pouco tempo após ficar doente, e como antigamente achavam que doenças eram possíveis ser transmitidas através dos mortos, um caixão foi construído as pressas e ela foi enterrada no túmulo da família Legare.

Anos depois, outro morte aconteceu, e o Mausoléu (uma pequenas cabanas de concreto que eram feitas para depositar caixões de famílias inteiras) foi reaberta para colocarem um novo caixão. Para o choque dos presentes, um esqueleto caiu na frente deles. Aparentemente, a menina que tinha sido enterrada anos antes estava apenas em coma, e quando acordou, lutou do seu jeito para sair do seu frágil caixão, mas estava fraca demais para que pudesse mover a porta de concreto do Mausoléu. Marcas de arranhões cobriam toda a porta mostrando o pânico que estava antes de morrer, presa. O mausoléu ainda existe, mas agora, sem porta.

Cuidado, não durma!


Samira, moradora de Israel, tinha pesadelos constantemente, porém achava que era por causa das guerras existentes em seu país. Quando ela completou catorze anos foi morar em Londres, mas os pesadelos a acompanharam e ficaram piores. Sempre que Samira fechava os olhos via uma criatura estranha, com uma forma humana, mas sem cabelos e sem olhos, e sua boca era costurada.
Mesmo tendo um estranho sorriso, essa criatura a ajudava nos sonhos, lhe transmitia segurança. Em seus sonhos ela andava em uma terra escura, com gritos, coisas apavorantes e um terrível“ranger de dentes”. Demônios eram vistos agredindo pessoas, cidades destruídas, pessoas machucadas gritando e pedindo por suas vidas. E, como se não bastasse, havia um palhaço, que parecia ser o único que estava se divertindo em meio ao caos.
O palhaço também tinha uma aparência estranha, com pernas de bode.
- “Eles vêm pra cá por que merecem estar aqui, mas você não merece estar aqui. Não quer vir pra cá, então não durma!”, dizia o palhaço a Samira.
Samira se tratou com os melhores psicólogos, porém nenhum conseguiu ajudar, o que acabou transformando a menina em uma pessoa triste e isolada, cuja única companhia eram seus remédios.
Outra noite, logo que fechou os olhos novamente, Samira encontrou seu “guia”, então perguntou por que ele sempre estava sorrindo, se ele não estava feliz, ele nada respondeu, já que para ele era impossível falar. Enquanto andavam, o guia sumiu, deixando Samira desesperada. Gritou por várias vezes, mas não teve resposta.
Samira então começou a chorar, pois tinha muito medo daquele lugar, queria muito acordar, mas não conseguia.
Ela começou a ouvir passos na rua, cascos, e logo percebeu o palhaço rindo ao seu lado.
- “Boa notícia. Você merece vir pra cá. Vou te levar para um passeio comigo pela terra”, disse ele, mas a menina correu.
Quanto mais ela corria, mais o palhaço a perseguia, falava seu nome e ria, até que ela caiu, pois não aguentava mais.
O palhaço então se aproximou e cortou os pulsos de Samira com suas enormes unhas, dizendo:“Pra você vir mais rápido, amorzinho. Você tem uma missão, merece vir pra cá”.
Quando a menina viu seu sangue escorrer pelos braços, apavorada acordou. Ao perceber que estava em sua cama respirou calmamente, porém ao perceber seu lençol cheio de sangue, chamou seus pais que a levaram ao hospital.
Para os médicos, os cortes nos pulsos de Samira eram “tentativa de suicídio”, o que envolveu a assistência social e a polícia, já que ninguém acreditava no que Samira dizia.
Samira decidiu depois daquele dia que não iria mais dormir, não queria mais ir aquele lugar que lhe dava tanto medo. A menina, agora com 18 anos, não ria mais, pois acreditava que os “risos só vinham de quem praticava o mal”.
Um dia, ao entrar na cozinha, encontrou o palhaço rindo, dizendo que iria esfaquear seus pais e que ela seria a culpada, então percebeu que estava sonhando acordada.
Chorando ela foi ao banheiro, abriu o armário e “engoliu três potes de comprimidos”. Samira nunca mais acordou e seus pais acabaram acreditando que ela realmente era depressiva e estava tentando se matar. Mas agora só tentavam se convencer de que Samira estava em um lugar melhor.
Samira vive hoje no mundo dos pesadelos, com medo de uma criatura que constantemente arranha sua porta querendo entrar. E o palhaço vivi dizendo que ela merece estar ali.
Careca, sem olhos e com a boca costurada, esta é a aparência de Samira hoje que, se pudesse dar um conselho, com certeza seria: “Não durma!”.

A origem do mundo


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[editar]Tanto o vocábulo cosmologia como o vocábulo cosmogonia partilham do mesmo radical grego cosmo, que significa mundo. Enquanto o sufixo logos da cosmologia designa saber ou ciência, o sufixo gon da cosmogonia lhe dá o significado de "Imaginar, produzir, gerar", discernindo daí que enquanto a cosmologia é a ciência que estuda o universo, a cosmogonia é uma das diversas teorias ou explicações que determinada religião ou cultura deu à origem do universo e seus principais fenômenos.Cosmologia e Cosmogonia

[editar]O Big Bang

Entretanto em 1929 essa hipótese passou a ser plausível a partir das observações do feitas por Milton La Salle Humason no Monte Palomar, do fenômeno da degradação das linhas espectrais da luz (efeito Doppler) que sugeria que o todos os corpos celestes progressivamente se afastam uns dos outros, do que facilmente se conclui que, algum dia, há muito tempo atrás, todo o universo estivesse contido em um único ponto.
Traduzida em números, esta descoberta permitiu ao astrônomo Edwin Hubble deduzir uma progressão aritmética que mais tarde foi chamada de Constante de Hubble que até hoje é a régua cósmica utilizada para confirmar as teorias dos astrônomos e cosmólogos do mundo inteiro.
As diversas descobertas no campo da física atômica que se seguiram, que demonstram que quantidades titânicas de energia podem não apenas transformar como criar matéria (E=mc²), ao par do estudo da história recente das galáxias, deram mais prestígio ainda à essa teoria agora famosa como a Teoria do Big Bang.
Essa teoria, revisada e corrigida, explica o surgimento do universo a partir do acúmulo de imensurável quantidade de energia em um único ponto, chamado de singularidade primordial que teria explodido, e no momento da explosão teria originado não apenas toda a matéria de que se compõe o universo, como ainda teria originado o tempo, a gravitação universal, e as outras leis físicas até então inexistentes.

[editar]A origem da vida

[editar]A questão do mito

Um mito é um relato em forma de narrativa com carácter explicativo e/ou simbólico, profundamente relacionado com uma dada cultura e/ou religião. O termo é, por vezes, utilizado de forma pejorativa para se referir às crenças comuns (consideradas sem fundamento objectivo ou científico, e vistas apenas como histórias de um universo puramente fantástico) de diversas comunidades. No entanto, até acontecimentos históricos se podem transformar em mitos, se adquirem uma determinada carga simbólica para uma dada cultura. Na maioria das vezes, o termo refere-se especificamente aos relatos das civilizações antigas que, organizados, constituem uma mitologia - por exemplo, a mitologia grega e a mitologia romana.
Todas as culturas têm seus mitos, alguns dos quais são expressões particulares de arquétipos comuns a toda a humanidade. Por exemplo, os mitos sobre a criação do mundo repetem alguns temas, como o ovo cósmico, ou o deus assassinado e esquartejado cujas partes vão formar tudo que existe.
Mito não é o mesmo que fábulaconto de fadaslenda ou saga.

[editar]As várias visões religiosas

[editar]O mito sumério


Nele a criação é representada como um processo de procriação a partir de
 Apsu elemento masculino das águas doces e Tiamat, elemento feminino que representa o oceano e o caos, que criaram em seis dias os seis deuses que representavam os principais fenômenos do universo. Estes deuses, por sua vez, criaram o restante do universo, iniciando por Marduk que, depois de derrotarTiamat, criou a terra com as partes desmembradas de seu corpo e os homens com o seu sangue.Inicialmente transmitido oralmente, o mito sumério da criação constituiu um dos primeiros escritos da humanidade, vertido em caracteres cuneiformes no poema épico Enuma Elish que se disseminou por toda a Mesopotamia e daí, teria inflenciado outras cosmogonias consolidadas posteriormente, como a egípcia, a semita e até mesmo a romana por intermédio da helênica.

[editar]A explicação bíblica

Tora e a Bíblia apresentam, nos versículos 1 a 19 do primeiro capítulo do livro de Gênesis, o relato da criação dos céus e da Terraatribuído a Jeová (outro nome de Deus), o Deus único e omnipotente, que teria executado a obra criativa em seis dias e descansado no sétimo, tornando-o sagrado, embora alguns argumentem que os seis "dias" são simbólicos. Hoje já existe entre algumas correntes teológica da fé cristã a aceitação de quê o mundo passou a existir por meio de um "Big Bang". Essa tese cientificista, neste caso, se coaduna com o texto torádico e bíblico: Haja luz! (Gênesis Cap.1:3.)

[editar]Teoria nipônica

mitologia japonesa explica que no início, os deuses não estavam satisfeitos com a quantidade de comida fornecida no Universo. Então eles criaram esferas giratórias com gente para serví-los. Só que suas mulheres não deixaram dando força aos habitantes dos planetas e assim se iniciou uma guerra que foi tão intensa que foi daí que surgiu o Sol. Os deuses acabaram perdendo a arma que lhes dava a força e o poder para os terráqueos, que criaram tudo o que há na Terra, como árvores e frutos para poder ter condições de viver.

[editar]Os brâmanes

A visão bramânica do mundo e sua aplicação à vida estão descritas no livro do Manusmristi (Código de Manu), elaborado entre os anos 200 a.C. e 200 da era cristã, embora também contenha material muito mais antigo. Manu é o pai original da espécie humana. O livro trata inicialmente da criação do mundo e da ordem dos brâmanes; depois, do governo e de seus deveres, das leis, das castas, dos atos de expiação e, finalmente, da reencarnação e da redenção. Segundo as leis de Manu, os brâmanes são senhores de tudo que existe no mundo.

[editar]Visão islâmica

O Islâmismo partilha da mesma fonte cosmogônica dos judeus e cristãos, os escritos atribuídos ao profeta Moisés na Torá. Outros Livros passíveis de crédito islâmico são: os Salmos, o Evangelho, e O Corão que é o derradeiro e completo livro sagrado, constituindo a coletânea dos ensinamentos revelados por Deus ao profeta Maomé.

[editar]No budismo

A religião budista abstrai a existência de deus criador para se focar exclusivamente na busca do nirvana. Para essa religião, que se inicia com o despertar de Buda e não revolve outras áreas do conhecimento, o universo é simplesmente o que sempre foi "desde o tempo sem início".

[editar]Mito inuit

Os inuits explicam a Origem do Universo tal como a conhecem as culturas ocidentais e a ciência, apontando para o modelo de ordem cósmica. Estes mitos tem lugar em Tshishtashkamuku, a terra dos Mishtapeuat. Eles também acreditavam que o milho era um presente de seu deus, por isso comem muito milho.

[editar]Teoria espírita

Espiritismo tende a concordar com as descobertas científicas,porém colocando Deus como agente propulsor da criação do Universo."Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas".

Referências

  1.  Kardec, Allan , tradução de Guillon Ribeiro (2007), «Capítulo I», O Livro dos Espíritos: princípios da doutrina espírita: filosofia espiritualista, 14. ed. de bolso, 65, Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira. ISBN ISBN 978-85-7328-484-3